Capítulo
III
Sumário: Capítulo
I - Capítulo
II - Capítulo
III - Capítulo
IV - Capítulo
V
3.1 Invasões Holandesas
Em 1578 o jovem rei de Portugal, D. Sebastião, foi morto
na batalha de Alcácer-Quibir, na África, deixando
o trono português para seu tio, o cardeal D. Henrique, o
qual devido à sua avançada idade acabou morrendo
em 1579, sem deixar herdeiros. O Rei da Espanha, Felipe II, que
se dizia primo dos reis portugueses, com a colaboração
da nobreza portuguesa e do seu exército, conseguiu em 1580
o trono português.
A passagem do trono português à coroa espanhola prejudicou
os interesses holandeses, pois eles estavam travando uma luta contra
a Espanha pela sua independência e a Holanda era responsável
pelo comércio do açúcar nas colônias
portuguesas, o que lhes garantiam altos lucros. Dessa forma, rivais
dos espanhóis, os holandeses foram proibidos de aportarem
em terras portuguesas, o que lhes trouxe grande prejuízo.
Interessados em recuperar seus lucrativos negócios com
as colônias portuguesas, o governo e companhias privadas
holandesas formaram a Companhia das Índias Ocidentais, para
invadir as colônias.
A primeira tentativa de invasão holandesa ocorreu em 1624,
em Salvador. O governador da Bahia, Diogo de Mendonça Furtado,
havia se preparado para o combate, porém com o atraso da
esquadrilha holandesa, os brasileiros não mais acreditavam
na invasão quando foram pegos de surpresa.
Durante o ataque o governador foi preso. Mas orientadas por Marcos
Teixeira, as forças brasileiras mataram vários chefes
batavos, enfraquecendo as tropas holandesas. Em maio de 1625, eles
foram expulsos da Bahia pela esquadra de D. Fradique de Toledo
Osório.
Ao se retirarem de Salvador, os holandeses, comandados por Hendrikordoon,
seguiram para Baía da Traição, onde desembarcaram
e se fortificaram. Tropas paraibanas, pernambucanas e índios
se uniram a mando do governador Antônio de Albuquerque e
Francisco Carvalho para expulsar os holandeses. A derrota batava
veio em agosto de 1625.
Após esse conflito ao holandeses seguiram para Pernambuco,
onde o governador Matias de Albuquerque, objetivando deixá-los
sem suprimentos, incendiou os armazéns do porto e entrincheirou-se.
Na Paraíba, por terem ajudado os holandeses, os Potiguaras
foram expulsos por Francisco Coelho. Percebe-se nesse período
a grande defesa da terra.
Temendo novos ataques, a Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo,
foi reconstruída e guarnecida e a sua frente, na margem
oposta do Rio Paraíba, foi construído o Forte de
Santo Antônio.
Aos cinco dias de dezembro de 1632, comandados por Callenfels,
1600 batavos desembarcaram na Paraíba. Ocorreu um tiroteio,
os holandeses construíram uma trincheira em frente a fortaleza
de Santa Catarina, mas foram derrotados com a chegada de 600 homens
vindos de Felipéia de Nossa Senhora das Neves a mando do
governador.
Após esse acontecimento os brasileiros tentam construir
uma trincheira em frente a fortaleza. Os holandeses tentam impedir,
mas o forte resiste. Incapazes de vencer, os batavos se retiram
para Pernambuco.
Os holandeses decidem atacar o Rio Grande do Norte, mas Matias
de Albuquerque, 200 índios e 3 companhias paraibanas os
impediram de desembarcar.
Os holandeses voltam à Paraíba para atacar o Forte
de Santo Antônio, mas ao desembarcarem percebam a trincheira
levantada pelos paraibanos, fazendo com que eles desistissem da
invasão e voltassem ao Cabo de Santo Agostinho.
Após um tempo os holandeses resolvem tentar invadir a Paraíba
novamente, pois ela representava uma porta para a invasão
batava em Pernambuco. Dessa forma, em 25 de novembro de 1634 partiu
uma esquadra de 29 navios para a Paraíba.
Aos quatro dias de dezembro de 1634, bem preparados os soldados
holandeses chegam ao Norte do Jaguaribe, onde desembarcaram e aprisionaram
três brasileiros, entre eles o governador, que conseguiu
fugir.
No dia seguinte o resto da tropa holandesa desembarcou aprisionando
mais pessoas. No caminho por terra para Cabedelo os batavos receberam
mais reforços.
Antônio de Albuquerque Maranhão enviou à Paraíba
tudo o que foi preciso para combater com os chefes holandeses na
região do forte. Enquanto isso, Callabar roubava as propriedades.
Vieram reforços do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.
O capitão Francisco Peres Souto assumiu o comando da fortaleza
de Cabedelo.
Apenas em 15 de novembro chegou à Paraíba o Conde
Bagnuolo, para auxiliar os paraibanos. Como os paraibanos já encontravam-se
em situação irremediável, resolveram entregar
o Forte de Cabedelo e logo em seguida o Forte de Santo Antônio.
O Conde de Bagnuolo foi para Pernambuco; Antônio de Albuquerque
e o resto da tropa, juntamente com o resto do povo, tentou fundar
o Arraial do Engenho Velho.
Os holandeses chegaram com seus exércitos na Felipéia
de Nossa Senhora das Neves em 1634, e a encontraram vazia. Foram
então à procura de Antônio de Albuquerque no
Engenho Velho, mas não o encontraram.
O comandante das tropas holandesas entendeu-se com Duarte Gomes,
que procurou a Antônio de Albuquerque, que prendeu-o e mandou-o
para o Arraial do Bom Jesus. Depois, os holandeses mandaram libertar
Duarte Gomes.
No Engenho Espírito Santo, os nossos guerreiros venceram
os invasores, que eram chefiados por André Vidal de Negreiros.
Os paraibanos continuavam com a idéia de querer expulsar
os holandeses. Buscaram forças para isso: arranjaram homens
no Engenho São João e contaram com o apoio de André V.
de Negreiros. Quando os holandeses descobriram, também se
prepararam para o combate. Os paraibanos reuniram-se em Timbiri,
e depois seguiram para o Engenho Santo André, onde foram
atacados por Paulo Linge e sua tropa.
Após várias lutas, morreram oitenta holandeses e
a Paraíba perdeu o capitão Francisco Leitão.
Os combatentes, que estavam recolhidos no engenho Santo André,
continuaram com as provocações aos holandeses, tornando
assim complicada a situação de Pernambuco.
A fortaleza de Pernambuco estavam entregue aos prisioneiros soltos
por Hautyn. Francisco Figueroa chegou para governar a capitania
por um determinado tempo. Em 1655, chegou João Fernandes
Vieira para assumir a Capitania da Paraíba.
Jerônimo de Albuquerque conquistou o Maranhão com
a ajuda de seu filho Antônio de Albuquerque Maranhão.
Em 1618, então este teve por herança o governo do
Maranhão, que teria a assessoria de duas pessoas escolhidas
pelo povo. Antônio não gostou muito de seus auxiliares
e os dispensou. Seguindo os assessores seu próprio caminho,
Antônio de Albuquerque abandonou o governo do Maranhão
e casou-se em Lisboa, tendo desse casamento dois filhos.
Antônio voltou ao Brasil em 1627, com a nomeação
de Capitão-Mor da Paraíba.
A Capitania da Paraíba na época da invasão
holandesa
Na época da invasão holandesa, a população
era dividida em dois grupos: os homens livres (holandeses, portugueses
e brasileiros) e os escravos (de procedência brasileira ou
africana). Durante muito tempo de domínio holandês
no Brasil, não houve mistura de raças.
Política administrativa holandesa na Paraíba
Por uma década, a capitania da Paraíba teve como
administradores alguns governadores holandeses:
Servais Carpentier - Também governou o Rio Grande do Norte,
e sua residência oficial foi no Convento São Francisco.
Ippo Elyssens - Foi um administrador violento e desonesto. Apoderou-se
dos melhores engenhos da capitania.
Elias Herckmans - Governador holandês importante, que governou
por cinco anos.
Sebastian Von Hogoveen - Governaria no lugar de Elias H., mas
morreu antes de assumir o cargo.
Daniel Aberti - Substituto do anterior.
Gisberk de With>Foi o melhor governador holandês, pois
era honesto, trabalhador e humano.
Paulo de Lince>Foi derrotado pelos "Libertadores da Insurreição",
e retirou-se para Cabedelo.
3.2 Conquista para o Interior da Paraíba
Através de entradas, Missões de Catequese e bandeiras,
o interior da Paraíba foi conquistado, principalmente após
as invasões holandesas.
Os missionários pregavam o cristianismo nas suas Missões,
alfabetizavam e ensinavam ofícios aos índios e construíam
colégios para os colonos.
Os missionários encontraram um planalto com uma campina
verde e um clima agradável. Um aldeamento de índios
cariris que se organizaram na região deram-lhe o nome de
Campina Grande.
Entre os missionários, destacou-se o Padre Martim Nantes,
cuja missão deu origem à vila de Pilar.
As Missões de Catequese foram as primeiras formas de conquista
do interior da Paraíba. Após elas foram executadas
bandeiras com a finalidade de capturar índios.
O capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo foi o homem
que comandou a primeira bandeira na Paraíba. Esta bandeira
se deu através do Rio Paraíba e teve como destaque
a fundação de um povoado chamado Boqueirão.
Esta primeira bandeira, apesar de ter sido tumultuada, foi bem
sucedida, uma vez que Teodósio aprisionou vários índios.
Teodósio é tido como o grande responsável
pela colonização do interior da Paraíba. Ele
estabeleceu-se no interior e trouxe famílias e índios
para povoá-lo.
Os passos de Teodósio foram seguidos pelo capitão-mor
Luís Soares, que também se destacou por suas penetrações
para o interior.
Um homem chamado Elias Herckman procurou minas e chegou à Serra
da Borborama. Sua atitude (a de procurar minas) foi seguida por
Manuel Rodrigues.
O fundador da Casa da Torre, Francisco Dias D’ávila,
foi outro bandeirante que se destacou na colonização
da Paraíba.
Entre as várias tribos (caicós, icós, janduis,
etc.) que se destacaram no conflito contra conquista do interior
paraibano, os mais conhecidos são os sucurus, que habitavam
Alagoas de Monteiro.
3.3 Análise política, econômica e social da
capitânia nos séculos XVII e XVIII
Análise Política
Na administração colonial do Brasil, foram configurados
três modalidades de estatutos políticos: o das capitanias
hereditárias, o do governo geral e o do Vice-reino.
Na Paraíba, tivemos a criação da Capitania
Real em 1574.
Em 1694, depois de mais de noventa anos de fundação,
esta capitania se tornou independente. Entretanto, passados mais
de sessenta anos, a capitania da Paraíba foi anexada à de
Pernambuco em 1o de janeiro de 1756.
Houve prejuízo nesta fusão para a capitania paraibana,
além de prejudicar o Real Serviço, em virtude das
complicações de ordem General de Pernambuco, do governador
da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
Por isto, em 1797, o governador da capitania, Fernando Castilho
dá um depoimento, descrevendo a situação da
Capitania Real da Paraíba à Rainha de Portugal. Em
11 de janeiro de 1799, pela Carta Régia, a Capitania da
Paraíba separou-se da de Pernambuco.
O interior da capitania foi devastado por bandeirantes, que penetravam
até o Piauí. Entretanto a conquista do Sertão
foi realizada pela família Oliveira Ledo.
Outro fato político foram as constantes invasões
de franceses a mando da própria coroa francesa.
A invasão holandesa e a Guerra dos Mascates, em que a Paraíba
esteve sempre presente com heroísmo de seus filhos, tiveram
a sua conseqüência política, uma vez que estimulou
o sentimento nacionalista dos paraibanos.
Análise Econômica
Na época colonial, a Paraíba ofereceu no aspecto
econômico um traço digno de registro. Entre os principais
produtos e fontes de riqueza, destacavam-se o pau-brasil, a cana-de-açúcar,
o algodão e o comércio de negros.
O pau-brasil, proveniente da Ásia, era conhecido como ibira-pitanga
pelos índios. O seu valor como matéria prima de tinturaria
foi atestado na Europa e na Ásia. Daí a sua importância
econômica. Pernambuco e Paraíba figuravam entre os
pontos do Brasil onde a ibira-pitanga era mais encontrada.
A cana-de-açúcar, que foi a principal riqueza da
Paraíba com os seus engenhos, veio do Cabo Verde. Foi plantada
inicialmente na Capitania de Ilhéus.
A cana não se aclimatou na Europa. Na idade média
o açúcar era um produto raro de preço exorbitante.
Figurava em testamento no meio das jóias.
Isto provou bem a importância do açúcar, de
que resultou o desenvolvimento e progresso das colônias brasileiras.
Na primeira década da fundação da Paraíba,
já se encontravam dez engenhos montados.
Desde 1532 que entrava na capitania este produto armazenado nos
celeiros, na feitorias de Iguarassú. Os franceses já traficavam
com o algodão. Entretanto a economia do "ouro branco" só se
desenvolveu no século XVIII. Aqui na capitania o algodão
teve uma suma importância na balança da economia.
Na Paraíba o rebanho de gado vacum também teve importância
econômica. Não foi ele somente utilizado como fonte
de subsistência entre nós. Entrou nos engenhos como
impulsionador das moendas.
Teve o gado a sua fase áurea durante a "idade do couro",
quando tudo se fazia com o couro com fins comerciais; móveis,
portas, baús, etc.
O Tráfico de Escravos
No início da colonização, começaram
a ser introduzidos no Brasil os escravos. A data é omissa,
mas presume-se que tenham vindo primeiro com Martim Afonso de Souza
para a Capitania da São Vicente.
Na Paraíba, o empreendimento do comércio de negros
iniciou-se logo após o Decreto Real de 1559, da Regente
Catarina permitindo aos engenhos comprar cada um doze (12) escravos.
O escravo era mercadoria cara. Seu valor médio oscilava
entre 20 e 30 libras esterlinas.
Análise Social: Igrejas
Duarte Coelho Pereira fundou uma nova Lusitânia, composta
apenas por nobres. Alguns nobres de Pernambuco se refugiaram para
a Paraíba, antes que ocorresse alguma invasão holandesa.
Ao chegarem, fizeram seus engenhos, onde viviam com muito luxo,
desfrutando de tudo.
Ocorre que nem toda a população vivia tão
bem como a nobreza, uma vez que haviam mulheres e moças
analfabetas, que só faziam os afazeres domésticos.
Havia também outras classes sociais, compostas por comerciantes
e aventureiros, que enriqueciam rapidamente, faziam parte da burguesia,
querendo chegar a fazer parte da nobreza.
Os integrantes da máquina administrativa constituíam
outra classe. Eles eram considerados os homens bons, viviam uniformizados.
O fator mais importante para a sociedade foi a Igreja, devido à sua
maneira de catequizar o povo.
As principais igrejas que acompanharam a Paraíba no tempo
colonial foram:
A matriz de Nossa Senhora das Neves
Igreja da Misericórdia
Igreja das Mercês
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Capela de Nossa Senhora da Mãe dos Homens
Igreja do Bom Jesus dos Martírios
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