Capítulo
II
Sumário: Capítulo
I - Capítulo
II - Capítulo
III - Capítulo
IV - Capítulo
V
2.1 Primeiros Capitães- Mores
João Tavares
João Tavares foi o primeiro capitão-mor, ao qual
governou de 1585 a 1588 a Capitania da Paraíba.
João Tavares foi encarregado pelo Ouvidor-Geral, Martim
Leitão, de construir uma nova cidade. Para edificação
dessa cidade, vieram 25 cavaleiros, além de pedreiros e
carpinteiros, entre outros trabalhadores do gênero. Chegaram
também jesuítas e outras pessoas para residir na
cidade.
Foi fundado por João Tavares o primeiro engenho, o d’El-Rei,
em Tibiri, e o forte de São Sebastião, construído
por Martim Leitão para a proteção do engenho.
Os jesuítas ficaram responsáveis pela catequização
dos índios. Eles ainda fundaram um Centro de Catequese e
em Passeio Geral edificaram a capela de São Gonçalo.
O governo de João Tavares foi demasiadamente auxiliado
por Duarte Gomes da Silveira, natural de Olinda.
Silveira foi um senhor de engenho e uma grande figura da Capitania
da Paraíba durante mais de 50 anos. Rico, ajudou financeiramente
na ascensão da cidade. Em sua residência atualmente
se encontra o Colégio Nossa Senhora das Neves.
Apesar de ter se esforçado muito para o progresso da capitania,
João Tavares foi posto para fora em 1588, devido à política
do Rei.
Frutuoso Barbosa
Devido à grande insistência perante a corte e por
defender alguns direitos, Frutuoso Barbosa foi, em 1588, nomeado
o novo capitão-mor da Capitania da Paraíba, auxiliado
por D. Pedro Cueva, ao qual foi encarregado de controlar a parte
militar da capitania.
Neste mesmo período, chegaram alguns Frades Fransciscanos,
que fundaram várias aldeias e por não serem tão
rigorosos no ensino religioso como os Jesuítas, entraram
em desentendimento com estes últimos. Esse desentendimento
prejudicou o governo de Barbosa, pois aproveitando-se de alguns
descuidos, os índios Potiguaras invadiram propriedades.
Vieram em auxílio de Barbosa o capitão-mor de Itamaracá,
com João Tavares, Piragibe e seus índios. No caminho,
João Tavares faleceu de um mal súbito. Quando o restante
do grupo chegou à Paraíba, desalojou e prendeu os
Potiguaras.
Com o objetivo de evitar a entrada dos franceses, Barbosa ordenou
a construção de uma fortaleza em Cabedelo.
Piragibe iniciou a construção do forte com os Tabajaras,
porém, devido a interferência dos Jesuítas,
as obras foram concluídas pelos fransciscanos e seus homens.
Em homenagem a Felipe II, da Espanha, Barbosa mudou o nome da
cidade de Nossa Senhora das Neves para Felipéia de Nossa
Senhora das Neves.
Devido às infinitas lutas entre o capitão Pedro
Cueva e os Potiguaras e os desentendimentos com os Jesuítas,
houve a saída da Cueva e a decisão de Barbosa de
encerrar o seu governo, em 1591.
André de Albuquerque Maranhão
André de Albuquerque governou apenas por um ano. Nele, expulsou
os Potiguaras e realizou algumas fortificações. Entre
elas, a construção do Forte de Inhobin para defender
alguns engenhos próximos a este rio.
Ainda nesse governo os Potiguaras incendiaram o Forte de Cabedelo.
O governo de Albuquerque se finalizou em 1592.
Feliciano Coelho de Carvalho
Em seu governo realizou combates na Capaoba, houve paz com os índios,
expandiu estradas e expulsou os fransciscanos. Terminou seu governo
em 1600.
2.2 As Ordens Religiosas da Capitania da PB e Seus Mosteiros
Os Jesuítas
Os jesuítas foram os primeiros missionários que
chegaram à Capitania da Paraíba, acompanhando todas
as suas lutas de colonização.
Ao mando de Frutuoso Barbosa, os jesuítas se puseram a construir
um colégio na Felipéia. Porém, devido a desavenças
com os fransciscanos, que não usavam métodos de educação
tão rígidos como os jesuítas, a idéia
foi interrompida. Aproveitando esses desentendimentos, o rei que
andava descontente com os jesuítas pelo fato de estes não
permitirem a escravização dos índios, culpou
os jesuítas pela rivalidade com os fransciscanos e expulsou-os
da capitania.
Cento e quinze anos depois, os jesuítas voltaram à Paraíba
fundando um colégio onde ensinavam latim, filosofia e letras.
Passado algum tempo, fundaram um Seminário junto à igreja
de Nossa Senhora da Conceição. Atualmente essa área
corresponde ao jardim Palácio do Governo.
Em 1728, os jesuítas foram novamente expulsos. Em 1773,
o Ouvidor-Geral passou a residir no seminário onde moravam
os jesuítas, com a permissão do Papa Clementino XIV.
Os Fransciscanos
Atendendo a Frutuoso Barbosa, chegaram os padres fransciscanos,
com o objetivo de catequizar os índios.
O Frei Antônio do Campo Maior chegou com o objetivo de fundar
o primeiro convento da capitania. Seu trabalho se concentrou em
várias aldeias, o que o tornou importante.
No governo de Feliciano Coelho, começaram alguns desentendimentos,
pois os fransciscanos, assim como os jesuítas, não
escravizavam os índios. Ocorreu que depois de certo desentendimentos
entre os fransciscanos, Feliciano e o governador geral, Feliciano
acabou se acomodando junto aos frades.
A igreja e o convento dos fransciscanos foram construídos
em um sítio muito grande, onde atualmente se encontra a
praça São Francisco.
Os Beneditinos
O superior geral dos beneditinos tinha interesse em fundar um convento
na Capitania da Paraíba. O governador da capitania recebeu
o abade e conversou com o mesmo sobre a tal fundação.
Resolveu doar um sítio, que seria a ordem do superior
geral dos beneditinos.
A condição imposta pelo governador era que o convento
fosse construído em até 2 anos. O mosteiro não
foi construído em dois anos, mesmo assim, Feliciano manteve
a doação do sítio.
A igreja de São Bento se encontra atualmente na rua nove,
onde ainda há um cata-vento em lâmina, construído
em 1753.
Os Missionários Carmelitas
Os carmelitas vieram à Paraíba a pedido do cardeal
D. Henrique, em 1580. Mas devido a um incidente na chegada que
colheu os missionários para diferentes direções,
a vinda dos carmelitas demorou oito anos.
Os carmelitas chegaram à Paraíba quando o Brasil
estava sob domínio espanhol. Os carmelitas chegaram, fundaram
um convento e iniciaram trabalhos missionários. A história
dos carmelitas aqui é incompleta, uma vez que vários
documentos históricos foram perdidos nas invasões
holandesas.
Frei Manuel de Santa Teresa restaurou o convento depois da revolução
francesa, mas logo depois este foi demolido para servir de residência
ao primeiro bispo da Paraíba, D. Adauto de Miranda Henriques.
Pelos carmelitas foi fundada a Igreja do Carmo.
2.3 A População Indígena
Na Paraíba haviam duas raças de índios, os
Tupis e os Cariris (também chamados de Tapuias).
Os Tupis se dividiam em Tabajaras e Potiguaras, que eram inimigos.
Na época da fundação da Paraíba, os
Tabajaras formavam um grupo de aproximadamente 5 mil pessoas. Eles
eram pacíficos e ocupavam o litoral, onde fundaram as aldeias
de Alhanda e Taquara.
Já os Potiguaras eram mais numerosos que os Tabajaras e
ocupavam uma pequena região entre o rio Grande do Norte
e a Paraíba.
Esses índios locomoviam-se constantemente, deixando aldeias
para trás e formando outras. Com esta constante locomoção
os índios ocuparam áreas antes desabitadas.
Os índios Cariris se encontravam em maior número
que os Tupis e ocupavam uma área que se estendia desde o
Planalto da Borborema até os limites do Ceará, Rio
Grande do Norte e Pernambuco.
Os Cariris eram índios que se diziam ter vindo de um grande
lago. Estudiosos acreditam que eles tenham vindo do Amazonas ou
da Lagoa Maracaibo, na Venezuela.
Os Cariris velhos, que teriam sido civilizados antes dos cariris
novos, se dividiam em muitas tribos; sucuru, icós, ariu
e pegas, e paiacú. Destas, os tapuias pegas ficaram conhecidos
nas lutas contra os bandeirantes.
O nível de civilização do índio paraibano
era considerável. Muitos sabiam ler e conheciam ofícios
como a carpintaria. Esses índios tratavam bem os jesuítas
e os missionários que lhes davam atenção.
A maioria dos índios estavam de passagem do período
paleolítico para o neolítico. A língua falada
por eles era o tupi-guarani, utilizada também pelos colonos
na comunicação com os índios. O tupi-guarani
mereceu até a criação de uma gramática,
elaborada por Padre José de Anchieta.
Piragibe, que nos deu a paz na conquista da Paraíba; Tabira,
que lutou contra os franceses e Poti, que lutou contra os holandeses
e foi herói na batalha dos Guararapes, são exemplos
de índios que se sobressaíram na Paraíba.
Ainda hoje, encontram-se tribos indígenas Potiguaras localizadas
na Baía da Traição, mas em apenas uma aldeia,
a São Francisco, onde não há miscigenados,
pois a tribo não aceita a presença de caboclos, termo
que eles utilizavam para com as pessoas que não pertencem
a tribo.
O Cacique dessa aldeia chama-se Djalma Domingos, que também é o
prefeito do município de Baía da Traição.
Aos poucos, a aldeia vai se civilizando; um exemplo disso é um
posto telefônico implantado na mesma há um mês.
Nessas aldeias existem cerca de 7.000 índios Potiguaras,
que mantém as culturas antigas. Eles possuem cerca de 1.800
alunos de 7 a 14 anos em primeiro grau menor.
No Brasil, só existem três tribos Potiguaras, sendo
que no Nordeste a única é a da Baía da Traição.
Em 19 de Abril eles comemoraram seu dia fazendo pinturas no corpo
e reunindo as aldeias locais na aldeia S. Chico e realizaram danças,
como o Toré.
A principal atividade econômica desses índios é a
pesca e em menor escala, a agricultura.
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