Capítulo
I
Sumário: Capítulo
I - Capítulo
II - Capítulo
III - Capítulo
IV - Capítulo
V
1.1 Antecedentes da Conquista da Paraíba
Demorou um certo tempo para que Portugal começasse a explorar
economicamente o Brasil, uma vez que os interesses lusitanos estavam
voltados para o comércio de especiarias nas Índias,
e além disso, não havia nenhuma riqueza na costa
brasileira que chamasse tanta atenção quanto o ouro,
encontrado nas colônias espanholas, minério este que
tornara uma nação muito poderosa na época.
Devido ao desinteresse lusitano, piratas e corsários começaram
a extrair o pau-brasil, madeira muito encontrada no Brasil-colônia,
e especial devido a extração de um pigmento, usado
para tingir tecidos na Europa. Esses invasores eram em sua maioria
franceses, e logo que chegaram no Brasil fizeram amizades com os índios,
possibilitando entre eles uma relação comercial conhecida
como "escambo", na qual o trabalho indígena era
trocado por alguma manufatura sem valor.
Os portugueses, preocupados com o aumento do comércio dos
invasores da colônia, passaram a enviar expedições
para evitar o contrabando do pau-brasil, porém, ao chegar
no Brasil essas expedições eram sempre repelidas
pelos franceses apoiados pelos índios. Com o fracasso das
expedições o rei de Portugal decidiu criar o sistema
de capitanias hereditárias.
Com o objetivo de povoá-la, a colônia portuguesa
foi dividida em 15 capitanias, para doze donatários. Entre
elas destacamos a Capitania de Itamaracá, a qual se estendia
do rio Santa Cruz até a Baía da Traição.
Inicialmente essa capitania foi doada à Pedro Lopes de Souza,
que não pôde assumir, vindo em seu lugar o administrador
Francisco Braga, que devido a uma rivalidade com Duarte Coelho,
deixou a capitania em falência, dando lugar a João
Gonçalves, que realizou algumas benfeitorias na capitania
como a fundação da Vila da Conceição
e a construção de engenhos.
Após a morte de João Gonçalves, a capitania
entrou em declínio, ficando a mercê de malfeitores
e propiciando a continuidade do contrabando de madeira.
Com a tragédia de Tacunhaém*, em 1534 o rei de Portugal
desmembrou Itamaracá, dando formação à Capitania
do Rio Paraíba.
Existia uma grande preocupação por parte dos lusitanos
em conquistar a capitania que atualmente é a Paraíba,
pois havia a garantia do progresso da capitania pernambucana, a
quebrada aliança entre Potiguaras e franceses, e ainda,
estender sua colonização ao norte.
* Tragédia de Tacunhaém: Foi uma tragédia
na qual índios mataram todos os moradores de um engenho.
1.2 A Conquista e Fundação da Paraíba
Expedições para a Conquista
Quando o Governador Geral (D. Luís de Brito) recebeu a ordem
para separar Itamaracá, recebeu também do rei de
Portugal a ordem de punir os índios responsáveis
pelo massacre, expulsar o s franceses e fundar uma cidade. Assim
começaram as cinco expedições para a conquista
da Paraíba. Para isso o rei D. Sebastião mandou primeiramente
o Ouvidor Geral D. Fernão da Silva.
I Expedição (1574): O comandante desta expedição
foi o Ouvidor Geral D. Fernão da Silva. Ao chegar no Brasil,
Fernão tomou posse das terras em nome do rei sem que houvesse
nenhuma resistência, mas isso foi apenas uma armadilha. Sua
tropa foi surpreendida por indígenas e teve que recuar para
Pernambuco.
II Expedição (1575): Quem comandou a segunda expedição
foi o Governador Geral, D. Luís de Brito. Sua expedição
foi prejudicada por ventos desfavoráveis e eles nem chegaram
sequer às terras paraibanas. Três anos depois outro
Governador Geral (Lourenço Veiga), tenta conquistar a o
Rio Paraíba, não obtendo êxito.
III Expedição (1579): Frutuoso Barbosa impôs
a condição de que se ele conquistasse a Paraíba,
a governaria por dez anos. Essa idéia só lhe trouxe
prejuízos, uma vez que quando estava vindo à Paraíba,
caiu sobre sua frota uma forte tormenta e além de ter que
recuar até Portugal, ele perdeu sua esposa.
IV Expedição (1582): Com a mesma proposta imposta
por ele na expedição anterior, Frutuoso Barbosa volta
decidido a conquistar a Paraíba, mas cai na armadilha dos índios
e dos franceses. Barbosa desiste após perder um filho em
combate.
V Expedição (1584): Este teve a presença
de Flores Valdez, Felipe de Moura e o insistente Frutuoso Barbosa,
que conseguiram finalmente expulsar os franceses e conquistar a
Paraíba. Após a conquista, eles construíram
os fortes de São Tiago e São Felipe.
Conquista da Paraíba
Para as jornadas o Ouvidor Geral Martim Leitão formou uma
tropa constituída por brancos, índios, escravos e
até religiosos. Quando aqui chegaram se depararam com índios
que sem defesa, fogem e são aprisionados. Ao saber que eram índios
Tabajaras, Martim Leitão manda soltá-los, afirmando
que sua luta era contra os Potiguaras (rivais dos Tabajaras).
Após o incidente, Leitão procurou formar uma aliança
com os Tabajaras, que por temerem outra traição,
a rejeitaram.
Depois de um certo tempo Leitão e sua tropa finalmente
chegaram aos fortes (São Felipe e São Tiago), ambos
em decadência e miséria devido as intrigas entre espanhóis
e portugueses. Com isso Martim Leitão nomeou outro português,
conhecido como Castrejon, para o cargo de Frutuoso Barbosa. A troca
só fez piorar a situação. Ao saber que Castrejon
havia abandonado, destruído o Forte e jogado toda a sua
artilharia ao mar, Leitão o prendeu e o enviou de volta à Espanha.
Quando ninguém esperava, os portugueses se unem aos Tabajaras,
fazendo com que os Potiguaras recuassem. Isto se deu no início
de agosto de 1585.
A conquista da Paraíba se deu no final de tudo através
da união de um português e um chefe indígena
chamado Piragibe, palavra que significa Braço de Peixe.
Fundação da Paraíba
Martim Leitão trouxe pedreiros, carpinteiros, engenheiros
e outros para edificar a Cidade de Nossa Senhora das Neves. Com
o início das obras, Leitão foi a Baía da Traição
expulsar o resto dos franceses que permaneciam na Paraíba.
Leitão nomeou João Tavares para ser o capitão
do Forte. Paraíba foi a terceira cidade a ser fundada no
Brasil e a última do século XVI.
1.3 Primeiras Vilas da Paraíba na Época
Colonial
Com a colonização foram surgindo vilas na Paraíba.
A seguir temos algumas informações sobre as primeiras
vilas da Paraíba.
Pilar> O início de seu povoamento aconteceu no final
do século XVI, quando fazendas de gado foram encontradas
pelos holandeses. Hoje uma cidade sem muito destaque na Paraíba,
foi elevada à vila em 5 de janeiro de 1765. Pilar originou-se
a partir da Missão do Padre Martim Nantes naquela região.
Pilar foi elevada à município em 1985, quando o
cultivo da cana-de-açúcar se tornou na principal
atividade da região.
Sousa> Hoje a sexta cidade mais populosa do Estado e dona de
um dos mais importantes sítios arqueológicos do país
(Vale dos Dinossauros), Sousa era um povoado conhecido por "Jardim
do Rio do Peixe". A terra da região era bastante fértil,
o que acelerou rapidamente o processo de povoamento e progresso
do local. Em 1730, já viviam aproximadamente no vale 1468
pessoas. Sousa foi elevada à vila com o nome atual em homenagem
ao seu benfeitor, Bento Freire de Sousa, em 22 de julho de 1766.
Sua emancipação política se deu em 10 de julho
de 1854.
Campina Grande> Sua colonização teve início
em 1697. O capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo
instalou na região um povoado. Os indígenas formaram
uma aldeia. Em volta dessa aldeia surgiu uma feira nas ruas por
onde passavam camponeses. Percebe-se então que as características
comerciais de Campina Grande nasceram desde sua origem.
Campina foi elevada à freguesia em 1769, sob a invocação
de Nossa Senhora da Conceição. Sua elevação à vila
com o nome de Vila Nova da Rainha se deu em 20 de abril de 1790.
Hoje, Campina Grande é a maior cidade do interior do Nordeste.
São João do Cariri> Tendo sida povoada em meados
do século XVII pela enorme família Cariri que povoava
o sítio São João, entre outros, esta cidade
que atualmente não se destaca muito à nível
estadual foi elevada à vila em 22 de março de 1800.
Sua emancipação política é datada de
15 de novembro de 1831.
Pombal> No final do século XVII, Teodósio de
Oliveira Ledo realizou uma entrada através do rio Piranhas.
Nesta venceu o confronto com os índios Pegas e fundou ali
uma aldeia que inicialmente recebeu o nome do rio (Piranhas). Devido
ao sucesso da entrada não demorou muito até que passaram
a chamar o local de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em homenagem
a uma santa.
Em 1721 foi construída no local a Igreja do Rosário,
em homenagem à padroeira da cidade considerada uma relíquia
história nos dias atuais.
Sob força de uma Carta Régia datada de 22 de junho
de 1766, o município passou a se chamar Pombal, em homenagem
ao famoso Marquês de Pombal. Foi elevada à vila em
3/4 de maio de 1772, data hoje considerada como sendo também
a da criação do município.
Areia> Conhecida antigamente pelo nome de Bruxaxá, Areia
foi elevada à freguesia com o nome de Nossa Senhora da Conceição
pelo Alvará Régio de 18 de maio de 1815. Esta data é considerada
também como a de sua elevação à vila.
Sua emancipação política se deu em 18 de
maio de 1846, pela lei de criação número 2.
Hoje, Areia se destaca como uma das principais cidades do interior
da Paraíba, principalmente por possuir um passado histórico
muito atraente.
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