
Thiago Amorim
amorimthiagopb@yahoo.com.br
Graduado em Turismo, pelo Instituto de Educação Superior - IESP. Idealizador e criador do Portalparaíba. Atua na área de internet desde 2003.
Publicado em 07/03/2011 às 16:01:34
Ganhou especial destaque esta semana nas principais redes sociais da internet, sendo inclusive um dos assuntos mais comentados no Twitter, um vídeo onde a Jornalista Rachel Sheherazade dá a sua opinião extremamente crítica e sem razoabilidade alguma sobre o Carnaval. O polêmico desabafo, que verdadeiramente se constitui como um ato de coragem, está gerando grande repercussão e já conta com aproximadamente 300.000 exibições no Youtube, além de um sem número de opiniões divergentes no Facebook e em outros meios de comunicação.
Tecerei um breve comentário sobre o parecer da referida jornalista e darei a minha opinião sobre alguns aspectos. De antemão, devo dizer que concordo com alguns pontos expressados pela mesma, todavia, discordo de muitos outros, principalmente pelo fato do vídeo estar se referindo exclusivamente ao Carnaval.
Seria o carnaval um dos grandes problemas do Brasil? Pela indignação da jornalista, me parece que sim. É inegável que vivemos num país onde realmente há falta de uma segurança mais eficiente para a população, onde a saúde pública por vezes deixa a desejar e grande parte das pessoas vive em situação precária. Mas não faz sentido apontar esta festa POPULAR como grande culpada ou propulsora dos problemas acima citados. Nem tampouco o fato de não ser genuinamente brasileiro exime o Brasil de ser, definitivamente, o país do Carnaval.
Inclusive “Festa popular, o carnaval ocorre em regiões católicas, mas sua origem é obscura. No Brasil, o primeiro carnaval surgiu em 1641, promovido pelo governador Salvador Correia de Sá e Benevides em homenagem ao rei Dom João IV, restaurador do trono de Portugal. Hoje é uma das manifestações mais populares do país e festejado em todo o território nacional.” (Fonte: Editorial Barsa Planeta)
É verdade que muitos dos jovens usam esse tipo de festas para fazerem o que bem entendem, e que também as usam para liberar geral, mas isso só acontece no carnaval? O uso exagerado de bebidas alcoólicas pelos jovens acontece apenas no carnaval? Quem está lendo este artigo provavelmente já presenciou em festas de formatura, casamentos, aniversários e até mesmo nos finais de semana, vários amigos bêbados. Daí percebe-se que o uso exagerado da bebida não é uma exclusividade do carnaval, poderíamos citar diversos outros exemplos.
No vídeo ela fala:
“É uma festa popular, balela!
O carnaval virou negócio e dos ricos...
... E quem não tem dinheiro para comprar aquela roupinha colorida, não tem direito de ser feliz? Tem não. E aqui na Paraíba onde se comemora as prévias, não é muito diferente não. A maioria dos blocos vive as custas do poder público ... milhões de reais são pagos a artistas da terra e fora dela...”.
Balela Raquel, o que foi dito aí foi pura hipocrisia. Quer dizer que a iniciativa privada não pode fazer festa, e que o poder público não pode investir nesse evento? Aí eu te pergunto, onde o poder público pode investir? Na emissora em que você trabalha? Se a sua emissora não pagar o seu salário você vai trabalhar aí de graça por amor à sua profissão? Mais uma vez Balela!! Se nem o poder público pode investir, nem a iniciativa privada, ficamos então sem a festa de carnaval, sem festas de ano novo, sem as festas juninas, sem festa das Neves, entre outras. Será que quem esta lendo esse artigo nunca passou um ano novo em uma dessas festas que tem todos os anos em nossa cidade? Mas não podemos, pois assim vamos deixar os empresários mais ricos, e o poder público não pode fazer a festa na Orla, pois vai gastar dinheiro com isso, então fiquemos todos em casa com nossas famílias e pronto. Combinado. Não se pode mais ter festa.
O Poder Público tem sim a obrigação de investir em educação, saúde, trabalho, moradia, segurança, mas isso não o exime do seu também dever de nos proporcionar LAZER, que juntamente com os acima citados formam alguns dos direitos sociais constitucionalmente garantidos a todos nós, sem distinção.
Dizer que pobre não pode curtir carnaval é negar a realidade que vemos todos os anos. Ou agora precisamos desembolsar algum dinheiro para participar do tradicional Galo da Madrugada, ou até mesmo das Muriçocas, bloco que reúne pessoas das mais diversas idades e classes sociais. A não ser que pular carnaval agora seja necessariamente sinônimo de estar nos blocos mais caros ou nos camarotes VIPs, aí realmente não é para todo mundo. Mas será que todo mundo faz questão ou se entristece por não estar no bloco mais caro de Salvador? Acredito que não.
Quantos em Salvador se mobilizam para sentir a energia eletrizante dos trios elétricos e brincar na pipoca. Da mesma forma, quantas não são as pessoas que sobem e descem as ladeiras de Olinda ao som das maravilhosas orquestras de frevo sem precisar pagar nada para isso?
O carnaval é mais que isso, é a festa onde as pessoas pulam em harmonia, inclusive esquecendo um pouco dos problemas do cotidiano, vivendo na realidade a fantasia de alguns momentos de completa felicidade, celebração. Como no Bloco dos Cafuçus, um dos mais irreverentes de João Pessoa, que mistura pobres e ricos numa só brincadeira.
Ela também comenta sobre as músicas que são tocadas no carnaval, ela diz exatamente isso:
“...Muitas coisas hoje me revoltam no carnaval, Uma delas é ouvir a boa música ser calada a força por Hits do momento como “O Melô da Mulher Maravilha” ...”
Realmente, nessa data sempre são e foram criadas músicas que não são de melhores qualidade, mas para quem não gosta de carnaval, assim como eu, é simples, pego o meu Ipod, e escuto as músicas que eu gosto de escutar, não sou obrigado a escutar Rádio X ou Y, não me acho forçado a escutar nenhum tipo de Melô, como não escuto rádio, nem sabia da existência desse novo Hit. Agora posso garantir que esse Melô que eu não conheço, não deve ser muito pior que músicas de carnavais passados, até mesmo músicas da época dela, como por exemplo: "Pau que nasce torto nunca se endireita , Menina que requebra... mãe, pega na cabeça", um pouco antes que esse teve um outro grande sucesso, quem não lembra do: “ Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear...”, ou se quiserem ir mais além tem esse grande sucesso "A pipa do Vovô não sobe mais...". Mas é isso, como disse anteriormente, nessa época realmente as músicas não são o que tem de melhor, mas são feitas para animar os foliões, aqueles foliões que querem brincar, que querem se divertir sem maldade, que tem o direito a isso, e que ninguém lhe pode tirar.
Por fim vou comentar o fato dela falar dos policiais e das ambulâncias. Como disse no inicio, concordo que o Brasil tem um grande problema nesse aspecto, mas a culpa não é do carnaval nem de qualquer outro evento que tenha investimento do poder público ou privado. Policiais e ambulâncias são sempre destinados para grandes eventos onde tem muita gente, como por exemplo, grandes jogos de futebol, festa da virada de ano, Festas das Neves etc. Isso é forma de garantir a segurança e a saúde da população que esta festejando, se divertindo. Eles não são deslocados para ali, apenas para cuidarem de bêbados e de pessoas que estão ali para brigar como ela fala no texto. Vejam esse pequeno vídeo e me falem se os policiais ou as ambulâncias foram deslocados apenas para os bêbados ou os briguentos? http://www.youtube.com/watch?v=lWG5qCaaFhk
Isso ai é o verdadeiro carnaval, esse exemplo foi dado nas Muriçoquinhas desse ano, mas também existem festas desse tipo onde adultos brincam, se divertem, sem precisar ficar embriagado ou brigando, vão apenas para se divertir.
Essa é um pouco da minha opinião, acredito que ela falou de vários problemas que existem no Brasil, e que deveriam ser melhorados, entretanto, falou como que todos os problemas fossem devido ao carnaval. Viva o Carnaval para quem gosta, para quem não gosta como eu, aproveite o tempo para descansar, viajar, ler, estudar, escrever no facebook etc...
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Falou tudo cara, pura hipocrisia!!
Por acaso, vi sua coluna e parabenizo. Ao contrário de você, gosto e muito de Carnaval. Concordo em partes com o comentário da Raquel, porém seria interessante observar mais alguns pontos do comentário dela. Enquanto ela fala.. está no vídeo a logo da emissora em que ela trabalha e com um detalhe maior.... o guarda-chuva, do frevo. Enquanto profissionais de comunicação, todos nós sabemos que não é ético opinar...Quanto mais na função de apresentadora?! Lembro a você um outro item, ela acaba de ser contratada pela emissora oficial do carnaval . Não acho o comentário corajoso. Seria sim, numa emissora nacional ou em alguma capital em que o Carnaval realmente exista. Infelizmente na nossa capital, não existe carnaval e sim prévias carnavalescas, onde não existe um valor cobrado a população para que ela participe. Agora, me diga.... Já que estamos na terra do forró... E o São João? que dura 30 dias...A mobilização da saúde, segurança, entre outros serviços sem dúvida é maior... Porque não criticar?! Algo que faz parte da realidade paraibana!! Só não esquecendo...assim como o carnaval o são João também conta com o apoio de empresários... E garanto a você ninguém deixa de se divertir.
Ótima observação. A própria Raquel se contrapõe ao dizer, em um momento, que o carnaval é algo negro e, depois, dizer que os pobres não tem direito de se divertir nele (como assim, se divertir em algo ruim?). Só um exemplo das inúmeras contradições que ela expõe. Abraços.
Pois é, até parece que a miséria do Brasil se deve ao fato do poder público investir no Carnaval ou nas datas comemorativas. Se o povo soubesse escolher os nossos políticos talvez metade dos problemas fossem resolvidos (educação, saúde, segurança...) , pois o que vemos agora são escandalos e mais escandalos no Senado, mas ladrão de colarinho branco pode existir em nosso país mas festa de carnaval não!!Me poupem!!!
muito bem thiago, tens toda razão, e completando o poder publico investe, e tem retorno para poder aplicar na qualidade de vida das pessoas! ta de parabens!
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