Mascote Portal Paraíba

Elson Carvalho Filho

elsoncarvalhofilho@hotmail.com

Elson Carvalho Filho é Advogado e Professor Universitário. Com longa e atuante passagem pelo Movimento Estudantil Secundarista e Universitário, vice-presidente da Juventude do PMDB da Paraíba, é Pós-Graduado em Ciências Jurídico-Internacionais pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Especializando em Direito e Processo do Trabalho pelo Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ.

Publicado em 22/04/2010 às 13:34:06    |    Tamanho do texto:  A+   A-

O país da fantasia

Alguém já tentou fazer uma reclamação junto a Agência Nacional de Regulação das Empresas de Telecomunicação – ANATEL?

Não percam tempo...

Nunca na história desse país uma Agência Reguladora foi tão inerte. Inerte, ineficiente e qualquer outro adjetivo que queiram aditar.

As empresas de regulação deveriam servir para cobrar das empresas concessionárias de serviço público uma prestação adequada ao seu serviço. Deveriam...

Outro dia tive um problema com a Oi – apenas para variar, mais um na minha coleção pessoal.

Oi no Brasil virou sinônimo de desrespeito. Ao atender uma chamada não digo mais “oi”, mas apenas “alô” ou “olá”.

É que dizer “oi” soa tão agressivo que é melhor mudar a expressão.

Fiz um plano da Oi para minha esposa. Disseram-me que eu teria 30% de desconto se incluísse a fatura desta nova linha em débito automático e assim autorizei.

Bobo eu em acreditar na Oi.

Para minha surpresa incluíram também outra linha em débito automático sem a minha autorização e conjugaram as contas em uma só fatura.

Depois de passar 40 (quarenta) minutos tentando falar com um ser humano, a atendente virtual passou minha ligação para algo não identificado.

É que este ser inanimado quis me fazer acreditar que foi o meu banco quem incluiu a fatura no débito automático. Disse-me também que esta outra fatura, da linha mais antiga, sempre foi debitada em conta.
Engraçado. Quem fez o plano anterior fui eu, nove meses atrás. Quem sempre pagou a conta em dia fui eu, nos últimos nove meses.

E agora um extraterrestre aparece em minha vida querendo me convencer que meu gerente descobriu meu número da Oi e o incluiu em débito automático e que as faturas que eu sempre paguei na fila do banco na verdade eram debitadas da minha conta?

Ah sim, a ANATEL. Quase me esqueci desta.
Mas o que a ANATEL tem a ver com tudo isso? Nada... Deveria ter tudo a ver. Mas como não faz nada, mesmo provocada, é melhor esquecê-la.

Vocês sabiam que a ANATEL só recebe ligações de segunda a sexta e até as 20h? Bom... Já seria demais cobrar que a Agência “Reguladora” funcionasse nos finais de semana. Se durante a semana não “funciona”, abrir aos sábados e domingos pra quê?

Liguei para a ANATEL e protocolei reclamação – sou mesmo insistente. É que penso que um dia as coisas neste país irão funcionar.

Recebi um novo protocolo – aquele monte de números que a gente anota e depois percebe que não serve para nada, pois as empresas posteriormente dizem que nunca existiram.

Fiquei curioso e perguntei o que aconteceria com a Oi caso não resolvessem meu problema.

O dileto funcionário, após anotar até os nomes dos bisavôs dos meus tataravôs, me disse que comunicaria a Oi o ocorrido e daria cinco dias para que resolvessem o problema.

Fiquei curioso e voltei a questionar: “E depois?”

“E depois vamos conferir com a operadora se eles resolveram o problema” – pensei que era primeiro de abril. Mas não... Já tinha passado o dia da mentira.

Alguém deve estar se perguntando o mesmo que eu: “Por algum distúrbio momentâneo o funcionário da Oi no afã de solucionar o problema do cliente vai ligar para a ANATEL para dizer que não houve solução algum para o caso”.

Foi o que aconteceu. Recebi um telefonema de um funcionário da Oi do setor de Relacionamento com o Cliente. Deveria se chamar Serviço de Pressão e Terrorismo Financeiro.

Ele me disse que realmente houve um erro da operadora em conjugar as contas das duas linhas e pô-las em débito automático, mas que se eu quisesse retirar uma delas do débito perderia a promoção existente em ambas.

Que bacana. Desliguei o telefone. Tentei ligar para a ANATEL, mas naquele momento já tinha passado das 20h.

Talvez eu procure a Justiça. É que lá a Oi vai dizer que no seu banco de dados não consta reclamação e possivelmente não será aplicado o instituto da inversão do ônus da prova, previsto no Código de Defesa do Consumidor.

E mesmo que o fosse aplicado, também possivelmente seriam aceitas provas unilaterais produzidas pela Oi que mostram “telas” – da própria empresa – em que não existem os protocolos informados.

E é porque o Carnaval mal acabou...

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